Por que começar em vida
Sem planejamento, a transmissão do patrimônio passa pelo inventário. Enquanto ele corre, parte dos bens fica parada, a família arca com imposto, custas e honorários, e decisões importantes dependem de acordo entre todos os herdeiros. Planejar em vida permite escolher como e quando cada parte vai ser transmitida.
Existe também um motivo tributário. A Emenda Constitucional 132, de 2023, tornou obrigatório que o ITCMD, o imposto estadual sobre herança e doação, seja progressivo conforme o valor transmitido. Vários estados já revisaram suas alíquotas, então o custo de transmitir muda de estado pra estado e ao longo do tempo.
Passo 1: o mapa do patrimônio
Antes de escolher qualquer instrumento, eu monto com o cliente um retrato completo. Ele responde a perguntas simples que quase ninguém tem anotadas num lugar só:
- Quais bens existem: investimentos, imóveis, participações em empresas, previdência, contas no exterior.
- Em nome de quem cada bem está e em que regime de casamento.
- Quem são os herdeiros e quem depende financeiramente da família.
- Quanto de liquidez existe pra pagar imposto e custos da transmissão sem vender bens às pressas.
Passo 2: os instrumentos
Cada instrumento resolve um problema diferente, e o planejamento costuma combinar mais de um.
- Testamento: define a destinação da parte disponível do patrimônio e pode organizar a partilha, respeitando a parte reservada por lei aos herdeiros necessários.
- Doação com reserva de usufruto: transfere a propriedade em vida e mantém com o doador o uso e a renda do bem. O ITCMD é pago na doação.
- Holding patrimonial: uma empresa que concentra imóveis e participações, e a sucessão passa a acontecer por meio das quotas. Tem custo de abertura, contabilidade e manutenção, por isso faz sentido a partir de certo porte e complexidade.
- Previdência privada: os planos PGBL e VGBL permitem indicar beneficiários e costumam ser pagos fora do inventário. A tributação desses planos na sucessão é tema de discussão jurídica e merece acompanhamento.
- Seguro de vida: o capital vai direto ao beneficiário e não entra no inventário, conforme o artigo 794 do Código Civil. Costuma ser usado pra dar liquidez à família no período da transmissão.
Passo 3: revisar com a vida
O plano envelhece junto com a família. Casamento, divórcio, nascimento de filhos e netos, venda de empresa, mudança de país e mudança de lei pedem revisão. Um plano de dez anos atrás pode ter beneficiários desatualizados ou uma estrutura que deixou de ser eficiente.
Quem faz o quê
Planejamento sucessório é trabalho de equipe. O advogado redige testamento, contrato social e doações. O contador cuida da estrutura fiscal e das obrigações da holding. O consultor financeiro organiza o patrimônio investido, garante a liquidez pra transmissão e mantém tudo coerente com a estratégia da família ao longo dos anos. É esse papel que eu cumpro na VR Wealth, junto com os profissionais que o cliente já tem ou indicando quando falta alguém.
Perguntas frequentes
Holding patrimonial vale a pena pra qualquer patrimônio?
Depende do porte e da composição. A holding tem custo de abertura e de manutenção contábil, então costuma fazer mais sentido quando há imóveis ou participações relevantes. A decisão deve ser tomada com advogado e contador.
Previdência privada entra no inventário?
Em regra, os planos PGBL e VGBL com beneficiário indicado são pagos fora do inventário. A tributação desses planos na sucessão é tema de discussão jurídica, por isso vale revisar a estrutura com um advogado.
Quando começar o planejamento sucessório?
Assim que existir patrimônio ou dependentes a proteger. Quanto antes, mais instrumentos ficam disponíveis e menor o custo de ajustar o plano depois.
Fontes
Conteúdo educativo, sem recomendação de investimento. Pra decisões jurídicas e tributárias, consulte também advogado e contador de sua confiança.